domingo, 15 de janeiro de 2012
Via Láctea
Mais uma madrugada de trabalho, mais algumas páginas na reta final da dissertação. Estou analisando as obras de Fernanda Magalhães e sinto uma esperança tão intensa. Uma vontade de concluir esse trabalho, fazê-lo circulá-lo. Tenho a impressão que meus amigos já estão irritados comigo, afinal só falo da pesquisa a todo momento.
Madrugada embalada pela música via láctea, do legião urbana!
É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia
Não é?
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Eu, a mais gorda de todas!
Incrível como o tempo (ou a falta dele) é algo que me traz inspiração.
Ontem, ao acaso, encontrei a chave do meu terceiro capítulo. O blog da argentina Laura Pereyra é fantástico. Casa perfeitamente com as análises que estou fazendo das obras de Fernanda Magalhães.
Mais uma noite, mais café, mais cigarro. Mais engordurando o mundo!
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Hoje na academia
Enquanto eu me torturava com um ou outro exercício, dava conta do fôlego roubado pelo cigarro, fitei aquela confusão de televisões, cada uma em um canal, e vi um clipe da Beth Ditto. Pronto! Uma vontade de voltar pra casa correndo e escrever o terceiro capítulo, porque parte considerável das análises serão orientadas por conteúdos midiáticos. O próprio trabalho da Fernanda Magalhães dialoga com as culturas das mídias.
Enfim, noite longa!
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Capítulos 1 e 2 entregues!
Há pouco enviei para minha orientadora os dois primeiros capítulos da dissertação.
Gostei do resultado, agora aguardo as correções. Espero fôlego para concluir o capítulo final.
Creio que correrá tudo bem e que ao fim desse mês terei o trabalho completo, impresso e entregue para a banca!
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
O final da transgressão
![]() |
| Fernanda Magalhães, A representação da mulher gorda nua na fotografia, 1995 |
Oh céus, encerrei a transgressão!
Em uma tarde ensolarada, meus amigos na praia e eu aqui: muito café, muita escrevinhação. Acredito ter feito um bom conceito de transgressão, vou publicá-lo aqui. Fiquei orgulhoso, rs!
A gordura é uma transgressão por ferir e afrontar de diversas maneiras a idealização do corpo saudável, livre do sobrepeso, da compulsoriedade pelo bem-estar, o corpo disciplinado e em movimento. Ao desnudar seu corpo gordo, redondo e volumoso, Fernanda Magalhães assume uma transgressão em sua criação artística que é além da divisão entre moral ética e moral não ética. Mais ainda, a artista trama, urdi e engendra linhas de fugas, dobras das forças de poder, investe em sua escrita de si e do mundo, constrói, destrói, fragmenta, sobrepõe imagens, discursos, medos. As obras da artista transgridem não com o intuito da exibição do corpo pelo “frenesi da exibição”, mas por alinhavar as poéticas do corpo com o fazer criativo que supera a dicotomia normal, anormal. Moral e não moral. Imagens transgressoras que violam, profanam e dançam sobre os frágeis terrenos da moralidade cristã. Imagens que devolvem o pecado aos olhos dos que condenam e julgam. Quem está nua, não são as mulheres gordas, não é Fernanda Magalhães. Mas todas e todos que combatem àquele corpo, que o repelem da sociedade.
domingo, 1 de janeiro de 2012
Uma cerveja para inspirar
| A origem do Mundo, Gustave Courbet, 1866 |
Após escrever sobre gênero e sexualidade, estou a finalizar uma discussão de transgressão na arte, seguida de profanação.
Um trabalho árduo, ainda mais por existirem poucas discussões que de fato relacionam a produção artística e a transgressão. Um texto de Jurandir Costa "criatividade, ética e transgressão " é a bússola que me guia nessa arriscada aventura.
Profanações, o próximo passo, me deixa tranquilo. Afinal, o texto de Giorgio Agamben é incendiário e encaixa-se perfeitamente com os trabalhos que analisarei de Fernanda Magalhães.
E junto a essa loucura resolvi tomar uma ou duas cervejas, para transgredir as maneiras clássicas de escrevinhação acadêmica!
Olhares de Trás-do-Morro
Primeiro dia de 2012. Uma viagem calma, com risos, conversas, piadas!
Chuva, um leve frio.
Sensação de conforto, de saudade de um não sei o que.
A partir de hoje retomo o objetivo dessa fase do blog. Relatar, ao menas nessa reta final, a produção dessa dissertação.
Um exercício que quero cumprir ao longo desses dias na ilha da Magia.
Tomara!
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Viajo porque preciso...
Nesse ano tive algumas viagens. Algumas para mim e meus amigos. Mas a maioria com o intuito acadêmico. Comecei janeiro em Florianópolis, ao lado de dois amigos. Uma viagem onde sobretudo aprendemos a nos respeitar (ou nem tanto, mas isso depois que voltamos).
Treinamos a paciência, a percepção do outro, a dificuldade dos relacionamentos, os humores.
Logo depois, em um ímpeto de loucura, decidi ir para o carnaval do Rio de Janeiro. Fui sozinho, encontrei amigos, tomei chuva, reencontrei um moço argentino, me senti em uma música do Chico Buarque.
Em maio fui a Londrina, em um congresso de Ibagens, rs! Gostei muito, especialmente das conversas, aprendizados, a possibilidade de conhecer a artista que eu pesquiso as obras.
Em junho fui à cidade de São Paulo. Viagem amarga, fui levando rusgas e mágoas de um amigo, fiquei angustiado, vontade de voltar ou de sumir na multidão.
Um pouco antes, um grupo de garotos e garotas foram se deliciar na cidade de Goiás. Entre um show e outro, muitas conversas, intimidades, abraços, saudades.
Julho decidi ficar quieto, preso em minha qualificação de mestrado e atento à seleção de doutorado.
Setembro era uma viagem que eu não desejava fazer. O tempo no avião, a estadia na cidade, tudo me assustava. O Rio de Janeiro me devorava. Sai da prova quase desmaiando. Uma sensação de que tirei grande parte do havia dentro de mim e que despejei naquele papel. Perdi a noção do tempo, a primeira questão me consumiu 3 horas e a segunda tive menos de uma hora para elaborá-la. Não tive tempo de reler minha segunda resposta, tão pouco revisá-la. Sentimento de frustração, de não ter gerido o tempo a meu favor.
Até a divulgação do resultado senti-me tomado por uma angústia, uma ansiedade, envolto de cálculos mentais para ver se atingiria a nota mínima. Consegui um pouco mais que o mínimo e um pouco menos que o máximo. Agora a ansiedade se multiplicava, era o projeto, a entrevista, a aptidão em línguas. Mais duas viagens ao Rio em Novembro, depois Palmas, Pirenópolis. E eu aqui sentado, antes de mais uma viagem lembrando de tudo. Mentira, apenas fragmentos...
E tomando emprestado o título de um dos filmes que mais gosto. É assim: viajo porque preciso... volto porque te amo. Mas para onde volto, onde é o retorno. Amo alguém a ponto de viajar e desejar aos seus braços estar em um possível regresso. Viajo e conto os minutos, os segundos?
Não sei.
Viajo com meus amigos. E do que preciso? Beleza e leveza para terminar minha dissertação.
Não sei se foi a escolha mais acertada, ir para Florianópolis para concluir tamanho desafio. Mas acredito, preciso acreditar.
domingo, 11 de dezembro de 2011
O Céu de Goiânia
Quando deito em minha cama posso escolher entre ignorar o que está lá fora, enquadrado pela janela, ou posso olhar atentamente para alguns detalhes do céu dessa cidade. Se olho para fora, vejo as vezes mais do que quero. Posso olhar uma ou outra luz do prédio em frente, a sacada ornada com samambaias e outras pteridófitas. Mas se há razão para evitar um olhar mais detido e demorado é porque ela emana sufoco e as minúcias de algo que se acabou.
Certa vez, nessa mesma janela, ficamos contorcidos por um tempo. Um breve tempo, menor, pequeno, sem necessidade de contas ou cronometragem. O que nos interessava era mais a ação, e por conseguinte a cumplicidade, do que a duração, que via de regra é efêmera, para não dizer rarefeita.
E ele se alimentou da minha comida, deitou em minha cama, assistiu meu filme.E foi embora, simplesmente.
"me chegou
Como quem chega do nada:
Ele não me trouxe nada,
Também nada perguntou.
Mal sei como ele se chama,
Mas entendo o que ele quer!
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher."
Não satisfeito de todo esse abuso, esse posseiro arrendou a terra e depois partiu. Colonizou, para não cuidar, não plantar. Colonizou pra perceber que tantas outras terras sustentam seus pés e correr mundo, boca, corpo, colo, saliva, sêmen é o que o leva dos meus frágeis domínios.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Curtas
Se quando eu tivesse doze, treze anos... Quem sabe menos. Seu visse um desses filmes, desses videos. Tantas referências positivas, teria sido mais fácil. Hoje é fácil, fácil e maravilhoso. O medo é de pensar nas casas onde não esteja tudo bem. Na escola que ainda professa o ódio e a intolerância. No "kit" que não vai chegar no ensino público, pois em nosso país odiar está na moda.
Não gosto dos meninos
Não quero voltar sozinho
domingo, 24 de abril de 2011
Uma páscoa
Há tempos que certas datas são indiferentes para mim. Já passei natal na praia, com um amigo. Dia das mães e dos pais sem me dar conta que era a data, lembrando apenas pelas insistentes reiterações dos meios de comunicação.
Nessa semana santa foi assm, apenas dias mais ociosos, companhia de amigos. Lembro de uma vez que passei parte do feriado "santo" rumo ao Piauí.
Sinto uma certa artificialidade. Reprodução de tradições de maneira automática, sem reflexão. Tendo uma vertente marxista: uma celebração do consumo. Corra ao shopping e faça alguém feliz. É esse o slogan até na "ressurreição" de cristo!
Não quero ovo de páscoa, não quero chocolates suiços. Quero ficar assim, nessa preguiça gostosa, na tarde que cai docemente, naquele abraço íntimo do amigo que voltou ontem de viagem.
sábado, 23 de abril de 2011
Um bom filme iraniano
Pode parecer petulância quando respondo sobre cinema. "O que prefiro"? Um bom filme iraniano, as delicadezas do cotidiano, o pesado dilema da vida. Cores latinas, películas francesas. Um olhar menos domesticado. Onde não haja explosões, perseguições policiais e nem uma beleza tão previsível de corpos.
E sigo assistindo esses filmes. E a vida aos poucos torna-se um filme. Há tempos que tenho o blog como confissão. E sei que poucos o lêem, por isso ouso expor detalhes.
Um cara que mora no mesmo prédio, que há tempos deixei um bilhete em sua mesa. Aquele bonito rapaz de 1,90 de altura, em uma fila de restaurante. O outro de 7 ou 8 anos atrás, ali no posto da 84. Um dos primeiros namorados, que chega de repente, não anuncia, se sente no direito de entrar, sorrir, dormir.
E essas coisas me assustam. Dão medo. E causam algo muito maior... O desamparo.
Tantas conversas diferentes, tantos cheiros diferentes. O beijo, o toque, as expectativas. E no meio desses todos, um marcou. Meus amigos dizem que sou dado as paixões efêmeras, e sei que é verdade.
Mas ele foi tão titãs: "você apareceu do nada e você mexeu demais comigo, não quero ser só mais um amigo".
E ontem fiquei assim... Liguei, mandei mensagem. E nada. Hoje, em uma rede social qualquer, uma mensagem, na verdade uma pequena frase "atração recolhida". E só, coisa nossa, frase nossa.
E não quero acreditar que foi só uma vasão a essa "atração recolhida". Foi bom demais, ao menos para mim, para ter sido só uma noite. Só aquelas conversas, só aquela máxima intimidade permitida por algumas cervejas e pela fome dos corpos.
Ah, moço. Surpreenda-me, mande uma mensagem!
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
O menino estranho
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| Manoel de Barros |
Ontem eu estava estranho. Mais estranho que o habitual, agarrado em mim em um leve desespero. Tive que ir ao banco, cruzar avenidas encharcadas, correr contra o relógio.
Sufoco.
Reencontro.
Um abraço afoito, com ênfase, um frenesi. Não entendi muito bem, posto que não nos vemos/conversamos há tempos... Não, não. Não me refiro a uma ausência que gera euforia no reencontro, falo de um afastamento doloroso, tácito.
Mas foi bom o abraço, e talvez até mesmo aquele telefone. Quem sabe aquela grande amiga, da cadeira de trás, do ensino médio... volte!
Árvore - Manoel de Barros
Um passarinho pediu a meu irmão para ser sua árvore.
Meu irmão aceitou de ser a árvore daquele passarinho.
No estágio de ser essa árvore, meu irmão aprendeu de
sol, de céu e de lua mais do que na escola.
No estágio de ser árvore meu irmão aprendeu para santo
mais do que os padres lhes ensinavam no internato.
Aprendeu com a natureza o perfume de Deus
seu olho no estágio de ser árvore aprendeu melhor
o azul
E descobriu que uma casa vazia de cigarra esquecida
no tronco das árvores só serve pra poesia.
No estágio de ser árvore meu irmão descobriu que as árvores são vaidosas.
Que justamente aquela árvore na qual meu irmão se transformara,
envaidecia-se quando era nomeada para o entardecer dos pássaros
Meu irmão aceitou de ser a árvore daquele passarinho.
No estágio de ser essa árvore, meu irmão aprendeu de
sol, de céu e de lua mais do que na escola.
No estágio de ser árvore meu irmão aprendeu para santo
mais do que os padres lhes ensinavam no internato.
Aprendeu com a natureza o perfume de Deus
seu olho no estágio de ser árvore aprendeu melhor
o azul
E descobriu que uma casa vazia de cigarra esquecida
no tronco das árvores só serve pra poesia.
No estágio de ser árvore meu irmão descobriu que as árvores são vaidosas.
Que justamente aquela árvore na qual meu irmão se transformara,
envaidecia-se quando era nomeada para o entardecer dos pássaros
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Palmas
Esses dias em Palmas se reconfiguram de distintas maneiras, em um ano que se inicia.
Primeiro, a possibilidade de ressignificar um lugar que quando conheci tive verdadeira aversão.
Segundo, por ter um tempo tão necessário para rever o que ando fazendo, sentindo, pensando.
O clima é de chuva. Ontem, inclusive, senti frio!
No instante que escrevo chove, e muito... E eu lembro de uma canção, e ela assim diz: "lava minha memória suja". E é bem isso, ando lavando minha memória suja. Não me refiro a pecados ou conservadorismos morais, mas sim aos monstros que crio, que alimento, que fantasio. Vou ganhando um pouco de fôlego e passo a perceber que as coisas são mais simples que parecem. Que se for leve, o cotidiano é poético e aconchegante. Um email é só um email, e as hierarquias estão aí, no amor, no trabalho, nas amizades. Não estou conformista. Estou meio "palmas".
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Fotografia
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
El Cordobés
Se existe algo bom em fumar, com certeza é a possibilidade de uma aproximação para acender seu cigarro.
E ele ali sentado, com seu "jeito" de argentino. Con su pelo argentino...
E ele replicou: "que, brasileños, tiene el pelo corto".
Os "cambios", as saudades, as expressões que um adora no outro (lindo, eu, bonito, ele).
E eu o perguntei porque raios não sou argentino, porque não sou cordobés, e ele faceiramente diz: porque te quiero así.
E sigo meio bobo... Meio Vinicios.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
O bate papo
"RAFAELgatobi fala para Todos: algum brow discretaço q nunca foi em lugar gay macho e de boa pra troca uma ideia aew e ver no q rola?"
Eu poderia fazer a linha "estou pesquisando... curiosidade antropológica". Enfim, mas não tenho medo de assumir que eventualmente entro no bate papo. Que existe, dentro de mim, a pequena e solitária crença em acreditar ser possível encontrar um perdido como eu, vagando pelo ciberespaço.
De maneira geral, são conversas desastrosas e eu fico irritado. O começo é sempre doloroso, via de regra o diálogo começa na célebre pergunta " vc é a ou p" e termina com o inquérito sobre a genitália, espessura, diâmetro, cumprimento.
Quando a conversa não vai por esse caminho (caminho esse que sempre interdito), pode até ser razoável, mas quase sempre implica em uma virtualidade irritante. Um medo do "face a face". É mais tranquilo colocar os dedos em ação, do que dispor de coragem, assuntos variados e principalmente lidar com a frustração.
Frustração das mais distintas ordens: não corresponde fisicamente, o papo é ruim, o beijo não decolou.
E porquê ainda entro?
Não sei agora... É essa solidão, ou o que ouvi sobre globalização "esse estar junto na distância". Ainda sim, aos trancos e barrancos, há uma sensação de pertença, um traço de humanidade. Sociabilidade às avessas, mas sociabilidade.
Lembro do tcc de um aluno, sobre o filme Apaixonado Thomas. O cara não saía de casa há 8 anos, por sofrer agorafobia. E eu sei que posso ser tudo, menos agorafóbico. Mas ao mesmo tempo, não posso me permitir ter medo do "só". É algo que devo lidar... Principalmente agora!
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
A conferência
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| Lygia Pape, 1968. |
Ontem fizemos uma reunião virtual. Precisávamos resolver uma parte de nossas férias, e isso incluiu arriscar a compra de uma passagem de são paulo até floripa; com o risco de não chegarmos em tempo, por um possível atraso no vôo de goiânia até congonhas.
Até ai, tudo normal.
Mas a conversa, entre o desespero em falar com a atendente de telemarketing e os links do youtube, descambou para uma sensação de conforto, carinho, bem-estar. Principalmente quando um dos creyços se ausenta da capital, pra ir curar a fossa em um poço de água quente. Caminho inverso, hein? Era sempre a capital a promessa da felicidade, o eldorado daquele adolescente sardento e cheio de espinhas.
Obrigada meninas!
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Pela beleza do gesto
Há tempos eu tinha um arquivo de filme no computador. Eu o ignorava, apesar de imaginar que seria bom. E ele não estava escondido, em alguma pasta secreta. Repousava bem ali, no desktop.
Pois bem! Havia baixado um filme peruano que as críticas muito me intrigaram, entretanto o áudio estava péssimo e eu naquela intimidade pronto para incorporar-me a uma narrativa lenta, sofrida, despedaçada.
Lembrei de "as canções de amor", que há muito me aguardava, solitário...
E eu me apaixonei! O problema é este, não paro de ouvir a trilha sonora. Inclusive fui flagrado por meus amigos, encostado em uma parede, levemente embriagado sonhando com alguma paixão casual... ou dessas que dure. rs!
Sim, eu já amei
Pela beleza do gesto.
Mas a maçã era dura,
e quebrei os dentes.
Essas paixões imaturas,
esses amores indigestos
Deixaram-me mal disposto algumas vezes.
As Tu Déjà Aimé?
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
O desequilíbrio
![]() |
| Fernanda Magalhães - Gorda 13, série “A Representação da Mulher Gorda Nua na Fotografia”,1995 |
Tropeçar nas próprias pernas é algo corriqueiro. Romper o limite ou a tentativa de normalidade é mais que um desafio, é um estado de concentração onde ignoramos os estímulos externos, domamos as frustrações e aceitamos a efemeridade das relações, a cor turva das interações e a constatação de que as coisas que ando lendo por ai estão mais próximas de mim do que eu queria.
E isso porque? Dificuldade de abstração? Mergulho ao egoísmo? Ansiedade...
Isso, ansiedade, não loucura. Loucura, não pelo medo do rótulo, ou pelas possíveis medicalizações. É por não entender o peso que ela traz. Acho que é mais insatisfação. E isso somos todos: eternamente insatisfeitos.
E pra relembrar (ou amenizar a ansiedade), deixo a imagem de algo que devo me ocupar pelos próximos 14 meses.
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