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quarta-feira, 17 de setembro de 2008

*Confidencial

Vontades muitas tenho de escrever para algo/alguém que nestes dias mudou radicalmente minha rotina, sonhos, desejos e paixões.

Ando sorrindo atoa, tropeçando pelos pátios, deixando o café cair.
Um sentimento de completude, ao mesmo tempo de uma ausência. A própria fotografia coloca-se como deflagração da distância, insistindo: ele não está aqui.

O seminário do ser-tão se aproxima, estou com energia, desejo em construir/participar/contribuir.
Contei a alguém o que estava sentindo, essa confusão e até mesmo o desânimo, vontade de largar tudo, não olhar pra trás...mas um ano passa rápido, ela me dise. É verdade, passa mesmo

Vou tentando terminar de ler a "mensagem fotográfica" do Barthes, apreciando detidamente certas fotografias.


Saudades.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

De volta


A semana em São Paulo foi deveras interessante. Queridos amigos, conversas, risos e muitos momentos de reflexão.

Quero mesmo é contar certas coisas, mas por certo aqui não posso.
Escrever um pouco sobre os dias especiais no interior de São Paulo, no litoral.

Quase desci em Caldas Novas, deu vontade de ir pra perto da mãe, ver a tia Fátima e pensar que eu tinha 13 anos. É, mas não dá mais pra fazer isso, responsabilidades, compromissos e um monte de entraves dessa tal coisa de ser adulto.


Parafraseando alguém: o "x" é ver como serei liberado para ir a Belém!!

domingo, 7 de setembro de 2008

Tá Chegando II


HUM: olhem isso

"Qual Bíblia que você anda lendo? A do Luiz Mott? Aquela do GGB que diz que "Bem-aventurados os que dão o rabo"?
Hahahaha!!! Meu filho, se você gosta de dar a sua bunda, dê. Se acha isso normal e até chique, problema seu. Mas dizer que a Bíblia está do seu lado, já é forçar demais a barra. Continuem se fantasiando de bonecas-capetas na rua e xingando os religiosos, que vocês passam menos vexame."

Coitados, reduzem a diversidade sexual, identidade de gênero e orientação sexual ao ato de dar a bunda. A fé é um privilégio heterossexual? na parada de São Paulo havia um cartaz interessante: "Todo o amor nos aproxima de deus, todo ódio nos afasta dele" Se satanás existe, é melhor que reforce as estruturas do inferno, tenho certeza que muitos passarão calorosos dias em sua companhia. Talvez o inferno não seja tão agradável como os templos da fé, mas nada que um bom ar condicionado não dê conforto a esses "fiéis".

Tá chegando


Em duas semanas Goiânia celebrará a diversidade sexual. Será? É o dia de sapatear no leque central goianiense. Ver as travestis arrasando no parque mutirama, e esperar que desta vez as mesmas não sejam proibidas de utilizar o sanitário, colocadas como contagiosas.

Que ninguém caia da trio elétrico, menos carro de boate, menos bate cabelo e mais música brasileira.

Que a beleza reiterada seja das múltiplas expressões da sexualidade, e não o elencameno de uma corporalidade específica.


Beijos, beijos, beijos.
Beijem mais pessoas, dêem as mãos, sinta o vento bom que temos em setembro.

Parem na tocantins com a anhanguera, olhe o teatro goiânia e abrace quem estiver do seu lado.
Olhe o céu dessa linda cidade, grite. Puxe alguém que está acanhado na calçada. Ao passarmos pela aquela igrejinha bizarra( aquela mesma que conseguiu a concessão de tv em detrimento da UFG) mirem demoradamente o exercício de intolerência promovido por aqueles cristãos.

Percebam o ódio que destinam as pessoas que amam, comem, dormem, rezam.
Para eles e elas que estão orando mande um beijo, acene e grite: EU TE AMO! De malas nada pronta para a Abeh, com roupas na lavadora e a cabeça leve!

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Na 84


Ao entrar no 302, rumo a praça universitária comecei a ouvir coisas boas, sorrir na janela e sentir o pouco vento que resiste em goiânia. Nem o ácido sulfídrico despejado no meia-ponte pela unilever foi eficiente para desmanchar o contentamento que carregava.
Cruzamos o negrão de lima, vila nova, praça universitária: o que foi? Perdi a vontade de descer. Já havia experimentado essa extensão no transporte urbano goianiense por outras razões, nunca por uma comoção com a cidade, com as flores de ipês enfeitando calçadas, cabelos de moças. A grama do marista verde, ignorando o desértico setembro ( na madrugada homens e suas mangueiras dão esse aspecto vivo para o jardim urbano).
Senti arrepios ao ver um novo bar, remetendo a estação de metrô do bairro da Liberdade. Vi alunos da Universo, fiquei engarrafado na rua 87 e finalmente desci. Deliciosamente Mama Cass e sua
"make your own kind of music" embalava os caminhos da rua 84, então tropecei no vinicios de 2002. Alí, alheios a confusão da volta dos trabalhadores que se acotovelam na praça cívica e nos pontos de embarque, dois rapazes estavam na porta de um prédio, pouco mais de 16 anos tinham, uniforme de Educação Física e os dedos mínimos entrelaçados, explicitando aquele desejo/amor. Então sorri demoradamente. Como duas pessoas que nem conheço puderam desaluviar minha cabeça? Senti até mais úmidade no ar, leveza, beleza e poesia.


quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Tabu


Tabu de fácil pronúncia, um conjugado imponente de letras, transgride e comove ao ser revelada em 35 mm.
Frágil dama do século passado.
Em linhas e agulhas sufocava tecidos velhos, moribundos.
A noite servia-se ao prazer de homens casados, arriscava uns passos ao som de Ismael Silva, tomava seu drink no bar do Danúbio.
Em minha última ida à Lapa percebi muitas Tabu's Cosmopolitanas, o cigarro Derby, a itaipava e o conhaque.
Será que ainda possuem o mesmo sonho daquela Tabu de décadas atrás,
a máquina singer de pedal e tardes cozendo as roupas do anjo de bondade?


quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Alheios


Foram caminhar, sentir a brisa, sorrir um pouco para os passantes.

Cair na pista ao som do pop americano.

Quem são, não os conheço, e você?

Fico cá a matutar como é viver a homossexualidade em outras fronteiras? Aqui no sertão as coisas ora são boas, ora complicadas. É quase dialético.

A globalização atinge em cheio identidades, aceno para isso com o recorte tempo/espaço que tenho acesso. O cinema é uma janelinha que mostra um pouquinho desses mundos. Mas queria pular essa janela e vivenciar Tel Aviv. Não confio nesses diretores, principalmente nos Israelenses que narram palestinos.

Se são dúvidas, que então permaneçam. Melhor forma não há de alimentar o ensejo pelo novo.