Tabu de fácil pronúncia, um conjugado imponente de letras, transgride e comove ao ser revelada em 35 mm.
Frágil dama do século passado.
Em linhas e agulhas sufocava tecidos velhos, moribundos.
A noite servia-se ao prazer de homens casados, arriscava uns passos ao som de Ismael Silva, tomava seu drink no bar do Danúbio.
Em minha última ida à Lapa percebi muitas Tabu's Cosmopolitanas, o cigarro Derby, a itaipava e o conhaque.
Será que ainda possuem o mesmo sonho daquela Tabu de décadas atrás,
a máquina singer de pedal e tardes cozendo as roupas do anjo de bondade?
Foram caminhar, sentir a brisa, sorrir um pouco para os passantes.
Cair na pista ao som do pop americano.
Quem são, não os conheço, e você?
Fico cá a matutar como é viver a homossexualidade em outras fronteiras? Aqui no sertão as coisas ora são boas, ora complicadas. É quase dialético.
A globalização atinge em cheio identidades, aceno para isso com o recorte tempo/espaço que tenho acesso. O cinema é uma janelinha que mostra um pouquinho desses mundos. Mas queria pular essa janela e vivenciar Tel Aviv. Não confio nesses diretores, principalmente nos Israelenses que narram palestinos.
Se são dúvidas, que então permaneçam. Melhor forma não há de alimentar o ensejo pelo novo.

A Pombinha
Três meninos na mata ouviram
uma pombinha gemer.
"Eu acho que ela está com fome",
disse o primeiro,
"e não tem nada para comer."
Três meninos na mata ouviram
uma pombinha carpir.
"Eu acho que ela ficou presa",
disse o segundo,
"e não sabe como fugir."
Três meninos na mata ouviram
uma pombinha gemer.
"Eu acho que ela está com saudade",
disse o terceiro,
"e com certeza vai morrer".Cecília despertava em minhas manhãs o desejo pela leveza, nas viagens do jardim inexistente, em olhares ora complexos, ora flutuantes.
Ela era dessas moças que deviam existir aos montes
Era a liberdade presa pelo mundo pequeno e sufocante
Era a viagem, também a vaga músicaRabiscando o caderno, apontando lápis, soprando forte o vestígio da borracha...éramos muitos, em marcações no quartel Bento de Godoy
Deveríamos atingir as metas de felicidades, e os fazíamos com muita presteza.Um beijo Ceci!
Tantas coisas a contar. Dias intensos no Rio de Janeiro, na cidade muito além do noticiário. Boicotando novamente roteiros como o corcovado, que demonstra a supremacia do cristianismo no nosso Brasil, varrendo para o tapete a multiplicidade cultural e religiosa do nosso país.
Tá, uma tarde ou outra no posto 9 em ipanema. A alta cúpula da FAFELLI ( Faculdade Feliz Legal Linda e Inteligente) deu muitas pernadinhas, seja em niterói ou na capital.
Não poderíamos ter começado a viagem de melhor maneira que cair de para-quedas no velório da Dercy Gonçalves, ícone pop e jurássico, com irrevêrencia. Fomos até criticados no duelo de MC's por pedir uma rima sobre a finada. Mas rimar frases machistas e homofóbicas pode, não é?
O show do Bnegão dizem que foi bom, não me lembro de muita coisa.
Itacoatiara, itaipu, zona norte em madureira.
Foi raro aquele momento no morro e apreciar/aprender/brincar jongo da serrinha.
Foi bom sair correndo do morro do Estado em Niterói, pedir ajuda como um louco na rua.
Será que o Rio é a melhor cidade da América do Sul? A melhor não sei, mas a mais desigual posso até arriscar um palpite.
O Maranhão, literalmente, foi maravilhoso! Tiquira + Jesus = explosão!!!
Não sei o porquê desta fase mais conflituosa, "cousas" na cabeça, muito maranhão, não sei , ou sei.
Afinal, aproxima-se o Enecom.
Por esses dias, senti no meu vasto menu de opressões mais uma...uma que nunca havia experimentado, aliás, duas.
Como disse um grande amigo, cometi um crime moral, transgredindo linhas de inteligibilidade para a nossa limitada sociedade..como foi doloroso, olhares de reprovação, repugnância de vários corpos abjetos. Abjetos criando seus abjetos, desfacelando novas margens e colocando-me em um "novo" vazio entre-lugar.
Ontem fiquei incomodado ao ver uma serelepe vaca bailando, no comercial da batavo...fiquei estarrecido, mas não me sinto no momento para ser militante de uma nova causa..fico por hora com a "monisse" e a comunicação social, apesar de sempre que posso alfinetar aos " amantes" da carne.
Vendo este comercial sinto uma inquietação, para não dizer irritação. O corpo Travesti/Transsexual aparece sempre como a cilada, o erro, o desvio. A materialização do improvável, o rizível.
Mesmo em uma sociedade onde a cidadania liberal paira sem o menor decoro estas pessoas são marginalizadas, logo por não serem cidadãs, mesmo no contexto do consumo. Será que elas não bebem água?
O corpo é deveras moldado, bem marcado como algo construído, e porquê este pânico de sentir prazer com/através da transsexualidades/travestilidades?
Alí com certeza há algo mais que o gozo fulgás, há a possibilidade de amor romântico, sonhos, desejos, confissões, que são negadas, oprimidas, desvilhenciadas.
Em algum momento as/os publicitári@s usarão de cartadas mais interessantes que o preconceito e a execração de minórias para ter eficácia em sua missão?