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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Hoje na academia


Enquanto eu me torturava com um ou outro exercício, dava conta do fôlego roubado pelo cigarro, fitei aquela confusão de televisões, cada uma em um canal, e vi um clipe da Beth Ditto. Pronto! Uma vontade de voltar pra casa correndo e escrever o terceiro capítulo, porque parte considerável das análises serão orientadas por conteúdos midiáticos. O próprio trabalho da Fernanda Magalhães dialoga com as culturas das mídias.

Enfim, noite longa!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Capítulos 1 e 2 entregues!

Há pouco enviei para minha orientadora os dois primeiros capítulos da dissertação.

Gostei do resultado, agora aguardo as correções. Espero fôlego para concluir o capítulo final.

Creio que correrá tudo bem e que ao fim desse mês terei o trabalho completo, impresso e entregue para a banca!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O final da transgressão

Fernanda Magalhães, A representação da mulher gorda nua na fotografia, 1995

Oh céus, encerrei a transgressão!

Em uma tarde ensolarada, meus amigos na praia e eu aqui: muito café, muita escrevinhação. Acredito ter feito um bom conceito de transgressão, vou publicá-lo aqui. Fiquei orgulhoso, rs!



A gordura é uma transgressão por ferir e afrontar de diversas maneiras a idealização do corpo saudável, livre do sobrepeso, da compulsoriedade pelo bem-estar, o corpo disciplinado e em movimento. Ao desnudar seu corpo gordo, redondo e volumoso, Fernanda Magalhães assume uma transgressão em sua criação artística que é além da divisão entre moral ética e moral não ética. Mais ainda, a artista trama, urdi e engendra linhas de fugas, dobras das forças de poder, investe em sua escrita de si e do mundo, constrói, destrói, fragmenta, sobrepõe imagens, discursos, medos. As obras da artista transgridem não com o intuito da exibição do corpo pelo “frenesi da exibição”, mas por alinhavar as poéticas do corpo com o fazer criativo que supera a dicotomia normal, anormal. Moral e não moral. Imagens transgressoras que violam, profanam e dançam sobre os frágeis terrenos da moralidade cristã. Imagens que devolvem o pecado aos olhos dos que condenam e julgam. Quem está nua, não são as mulheres gordas, não é Fernanda Magalhães. Mas todas e todos que combatem àquele corpo, que o repelem da sociedade.       

domingo, 1 de janeiro de 2012

Uma cerveja para inspirar

A origem do Mundo, Gustave Courbet, 1866

Após escrever sobre gênero e sexualidade, estou a finalizar uma discussão de transgressão na arte, seguida de profanação.

Um trabalho árduo, ainda mais por existirem poucas discussões que de fato relacionam a produção artística e a transgressão. Um texto de Jurandir Costa "criatividade, ética e transgressão " é a bússola que me guia nessa arriscada aventura.

Profanações, o próximo passo, me deixa tranquilo. Afinal, o texto de Giorgio Agamben é incendiário e encaixa-se perfeitamente com os trabalhos que analisarei de Fernanda Magalhães.

E junto a essa loucura resolvi tomar uma ou duas cervejas, para transgredir as maneiras clássicas de escrevinhação acadêmica!

Olhares de Trás-do-Morro


Primeiro dia de 2012. Uma viagem calma, com risos, conversas, piadas!
Chuva, um leve frio.
Sensação de conforto, de saudade de um não sei o que.

A partir de hoje retomo o objetivo dessa fase do blog. Relatar, ao menas nessa reta final, a produção dessa dissertação.

Um exercício que quero cumprir ao longo desses dias na ilha da Magia.

Tomara!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Viajo porque preciso...


Nesse ano tive algumas viagens. Algumas para mim e meus amigos. Mas a maioria com o intuito acadêmico. Comecei janeiro em Florianópolis, ao lado de dois amigos. Uma viagem onde sobretudo aprendemos a nos respeitar (ou nem tanto, mas isso depois que voltamos).
Treinamos a paciência, a percepção do outro, a dificuldade dos relacionamentos, os humores.

Logo depois, em um ímpeto de loucura, decidi ir para o carnaval do Rio de Janeiro. Fui sozinho, encontrei amigos, tomei chuva, reencontrei um moço argentino, me senti em uma música do Chico Buarque.
Em maio fui a Londrina, em um congresso de Ibagens, rs! Gostei muito, especialmente das conversas, aprendizados, a possibilidade de conhecer a artista que eu pesquiso as obras.
Em junho fui à cidade de São Paulo. Viagem amarga, fui levando rusgas e mágoas de um amigo, fiquei angustiado, vontade de voltar ou de sumir na multidão.
Um pouco antes, um grupo de garotos e garotas foram se deliciar na cidade de Goiás. Entre um show e outro, muitas conversas, intimidades, abraços, saudades.

Julho decidi ficar quieto, preso em minha qualificação de mestrado e atento à seleção de doutorado.
Setembro era uma viagem que eu não desejava fazer. O tempo no avião, a estadia na cidade, tudo me assustava. O Rio de Janeiro me devorava. Sai da prova quase desmaiando. Uma sensação de que tirei grande parte do havia dentro de mim e que despejei naquele papel. Perdi a noção do tempo, a primeira questão me consumiu 3 horas e a segunda tive menos de uma hora para elaborá-la. Não tive tempo de reler minha segunda resposta, tão pouco revisá-la. Sentimento de frustração, de não ter gerido o tempo a meu favor.

Até a divulgação do resultado senti-me tomado por uma angústia, uma ansiedade, envolto de cálculos mentais para ver se atingiria a nota mínima. Consegui um pouco mais que o mínimo e um pouco menos que o máximo. Agora a ansiedade se multiplicava, era o projeto, a entrevista, a aptidão em línguas. Mais duas viagens ao Rio em Novembro, depois Palmas, Pirenópolis. E eu aqui sentado, antes de mais uma viagem lembrando de tudo. Mentira, apenas fragmentos...

E tomando emprestado o título de um dos filmes que mais gosto. É assim: viajo porque preciso... volto porque te amo. Mas para onde volto, onde é o retorno. Amo alguém a ponto de viajar e desejar aos seus braços estar em um possível regresso. Viajo e conto os minutos, os segundos?

Não sei.

Viajo com meus amigos. E do que preciso? Beleza e leveza para terminar minha dissertação.

Não sei se foi a escolha mais acertada, ir para Florianópolis para concluir tamanho desafio. Mas acredito, preciso acreditar.

domingo, 11 de dezembro de 2011

O Céu de Goiânia


Quando deito em minha cama posso escolher entre ignorar o que está lá fora, enquadrado pela janela, ou posso  olhar atentamente para alguns detalhes do céu dessa cidade. Se olho para fora, vejo as vezes mais do que quero. Posso olhar uma ou outra luz do prédio em frente, a sacada ornada com samambaias e outras pteridófitas. Mas se há razão para evitar um olhar mais detido e demorado é porque ela emana sufoco e as minúcias de algo que se acabou.

Certa vez, nessa mesma janela, ficamos contorcidos por um tempo. Um breve tempo, menor, pequeno, sem necessidade de contas ou cronometragem. O que nos interessava era mais a ação, e por conseguinte a cumplicidade, do que a duração, que via de regra é efêmera, para não dizer rarefeita. 

E ele se alimentou da minha comida, deitou em minha cama, assistiu meu filme.E foi embora, simplesmente. 

"me chegou
Como quem chega do nada:
Ele não me trouxe nada,
Também nada perguntou.
Mal sei como ele se chama,
Mas entendo o que ele quer!
Se deitou na minha cama
E me chama de mulher."


Não satisfeito de todo esse abuso, esse posseiro arrendou a terra e depois partiu. Colonizou, para não cuidar, não plantar. Colonizou pra perceber que tantas outras terras sustentam seus pés e correr mundo, boca, corpo, colo, saliva, sêmen é o que o leva dos meus frágeis domínios.