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domingo, 16 de maio de 2010

as angústias dominicais


Sempre lembro dos domingos com uma certa resignação. Quando criança era pela ausência de desenhos e pela overdose de esportes que tínhamos em casa. Além dos entediantes faustão ou gugu que era obrigado a ver.

Era, também, mais um dia sem ver os amigos da escola. Um tempo depois converteu-se em dias de experimentar as consequências da noite anterior.

E hoje?

Soa como um alarme, desbaratado, ruidoso e pesado. O primeiro dia da semana que vem, com tantos traços soltos para ir costurando. E acabo por não fazer parte do que planejei. Para a cobrança dos outros e para minha auto-punição.

E a proposta de levar a vida "mais leve" como num vídeo publicitário fica cada vez mais distante... No plano das idéias.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A primeira conversa

                                           Nazareth Pacheco, 1998

06 de maio. Quinta a noite. Em casa, errante na net, trânsito entre cozinha e quarto. A água com gosto de ferro do bebedouro do corredor.

E o telefone dela estava em minha agenda, desde dezembro. Em floripa tentei ligar, deixei um recado na caixa postal.

Deixei em espera por um tempo. Enviei email ao Tadeu Chiarelli, pedi intercessão à Maria Elísia e nenhuma resposta.

Assim, mágico, liguei! A voz... a mesma tranquilidade do documentário "gilete azul": "você pode ligar mais tarde, vou te atender, mas agora tenho visitas".

E fui ficando afobado, sem palavras. E aquela gentileza, carinho. 

Fazendo uma metáfora com aquele filme "Como se fosse a primeira vez", cada dia me apaixono pelo trabalho do mestrado, é sempre esse encantamento. E nesse dia me apaixonei mais ainda...

quinta-feira, 13 de maio de 2010

E depois de tanto tempo...


                                                             Obra Marginal - Ana Rita Vidica

Uma das coisas que discutíamos ao voltar hoje da faculdade era a noção de tempo. Um tempo? Vários tempos? Como eu o percebo e de que forma ele passa para ti?

Em verdade, fiquei no silêncio, com meu próprio tempo. Nas tentativas, as vezes bem sucedidas, de poetizar o percurso pela marginal botafogo, entre as árvores que abraçam aquela linha de sucata que se movimenta ao álcool ou gasolina.

E o tempo?

Desde janeiro não escrevo por aqui. Rabisco minha agenda, minha desordenada bagunça, as cadeiras, o chão, a minha pele. Hoje mesmo escrevi quase que por completo a letra de uma música. E há tempos pensando em postar.

Um plano era criar outro blog, e que ele fosse tal qual um registro das aventuras da dissertação. De um lado ficariam os segredos e sabores íntimos e de outro as dificuldades e entraves do mestrado. Mas desisti da idéia, apenas troquei o nome do endereço. É inegável que outro rumo ele tomou e eu já não queria carregar aquele nome. Esta mudança foi suficiente. Ao menos por agora.

O dia começou com a visita aos "passeios" comerciais da avenida anhangüera, que rendeu bem mais que ouvir aquele hino evangélico e comprar o cabo para o computador. Os motivos de comprar aquele piercing ainda me são estranhos, mas essa leve dor que eu sinto talvez diz que eu não deveria ter tirado, desde aquele 2003. O sol forte, a amiga dani ao lado e a impossibilidade de comer o cachorro quente ao fim do colégio.

sábado, 16 de janeiro de 2010




Esse desencanto pós-viagem é, de certa forma, interessante.


Depois de tantos dias com as preocupações minimamente reduzidas, mais centradas nos desafios do dia, na mobilização dos amigos para que acordem antes das duas da tarde para irmos à praia...


Voltar pra Goiânia ou a idéia de o fazer causa um desarranjo, uma inquietação. Gostaria de viver assim, sem rumos, errante, cada semana em um lugar. Longe da falta de poesia do dia-a-dia, do enfrentamento necessário, da gestão de crises (como eu diria se eu fosse um RP, rs!!).


Ficar em Caldas Novas, seguramente, assusta ainda mais, desconforto...


Então para onde, José?!


O jeito é lembrar de Vanessa da Mata:



Eu não sei o que vi aqui
Eu não sei prá onde ir
Eu não sei porque moro ali
Eu não sei porque estou

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Asuncion




O sol estava quente, familiar. Ardendo. Cidade amarela como Goiânia.


Uma curiosidade, vontade de chegar. Primeira passo foi conquistar nosso 1000000 de guaranis!!!


A calle palma tornou-se uma fabulosa surpresa. Um toque dos anos sessenta. Carros antigas, música pelas ruas, rumbia, salsa, sanfonas.


O sotaque espanhol trouxe mais uma vez a terra de goyazes nas lembranças. Um R muito bem entonado, forte, porrrrrta.


Cantamos em um karaokê. Osmar resgatou é o amor, me rendi ao vinicius de moraes e arrenhei onde anda você.


As praças, o comércio, tudo bem tranquilo, sereno. Nada de pressa ( só os barulhentos carros)! A única coisa que incomoda é o olhar agressivo dos policiais, talvez herança de um país que saiu a pouco de um regime ditatorial.


Sob uma fina chuva apreciamos um pouco de Soledad, uma cantora argentina que encerrou os festejos de Asuncion, capital americana da cultura do ano de 2010.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Paraguay




Para não desfacelar a tradição de não organizar malas, deixar para os últimos momentos e chegar esbaforido no local de embarque continuo aqui, calmamente, aproveitando as últimas horas na ilha da magia.


Estas quase duas semanas foram muito boas, momentos de bebedeira, reflexão, afagos. Conversas por telefone, saudade dos amigos do cerrado. E histórias que pelo seu teor terei que esperar os netinhos crescerem um pouco mais para contar.


As pessoas perguntam o porquê de se conhecer o paraguay, eu replico: por que não? Na tamanhura do nosso país nossos hermanos estão pertinho, algumas horas de ônibus e estamos lá. E ai sim poderei responder o porque de se conhecer o país, pois gostar de lá será o mínimo que poderá acontecer. 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010




Nos movimentos exagerados, a pouca luz, o som exustivo.


Formas perfeitas de ignorarmos uns aos outros, mesmo que esse silêncio tumultuado que travamos em nosso interior seja indescritivelmente delicioso.


Como diria a sábia filósofa fergie são coisas "de mim comigo mesmo".