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segunda-feira, 16 de março de 2009

Quando descer


Build Up

A construção durou dias
Durou semanas, demorou demais


Nosso héroi se retirou, quando havia dois
Ele não pôde escolher, então não havia nenhum


Desgastado no vagamente anunciado


O carrossel fez um som como um trem pelo vale
Enfraquecendo, oh tão quieto mas constante até que passou
Pela cadeia de montanhas distante
Escrito na sua passagem para lhe lembrar onde parar
E quando descer


(Tradução: Pepperland Girl)


Belíssima música do grupo Kings Of Convenience, que chegou aos meus ouvidos pela sugestão do Thiago de Belém, no meu amado Pará.


As coisas seguem tão bonitas. Como é bom ver o bosque dos buritis em uma noite de domingo.





terça-feira, 10 de março de 2009

Um doce menino


Que caminhava pelas encostas, por eiras e beiras. Por trapiches passava noites em ritmos poéticos, saudosistas melodias. Entre a fonte e o caminho punham-se mais que amores, cantigas suaves.

Sentou com o amigo na grama fresca, verde, bem verdinha. Tomou o mundo. Bebeu em fortes talagadas. Teorizaram, riram até esquecerem o motivo daquela alegria. Vinham outras e outras situações, mais risos, mais energia.

Almoçaram. Era um assentamento, lugar provisório, cheio de estranhos medos e arrepios. Rodopiaram.

Despediram-se.


O menino foi...encontrou um amigo um tanto mais junto, coladinho. Sorriram discretamente. Ele contentou-se nos olhares ternos e no breve encontro das mãos. Ah...difícil ficar do ladinho sem beijos e abraços. Todos podem...menos eles e outros tantos e tantas.
Culpa dos tontos, que dão a implicar e tomar nota sobre os beijos que outros querem dar.

Iriam ouvir música de um bom cantor. Não deu certo, é na semana que vem...melhor, mais calmos, sem pressa...e num dia todinho para um deles.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Dia de Peixe


Peço licença pelo atraso, mas mereço uma colher de chá. O melhor é o que se planta no íntimo, aqui na inquietação dos pensamentos. Logo que amanheceu, no dia 2, lembrei do meu querido Allan. Dormi na casa da Mônica, foi uma noite quente, escaldante na verdade. Liguei sem sucesso para a casa dele, ninguém atendeu.

Olha só, se enveredarmos pela memória tenho tanto a dizer. Lembro do ensino fundamental. Da quinta série, daquele ar de indiferença, das intrigas que ele causava. Lembro também da surra, daquela menina meio lésbica, que sacudiu o cotidiano escolar. Lembro do hiato entre a 7 ª série e o 1° ano do ensino médio no Sete de Setembro. Ele chegou para polemizar. Uma calça customizada, irreverência e a régua de plástico que causou mais burburinhos.

E foram tantas tardes próximos, conversas deliciosas...intermináveis sonhos. E o que dizer quando ele chegava na minha casa as 7 da manhã com pães de queijos fresquinhos, fazendo eu levantar e preparar o café. Claro que me levantava após ele me asfixiar no quarto fechado com seu clássico cigarro Charm..aquela embalagem dourada.


E nosso jeito único de pronunciar as palavras? Nossos intermináveis passeios de moto...
Temos essa coisa meio peixes, essa tal sensibilidade. Somos tão diferentes, mas somos tão amigos. Lembro do meu aniversário do ano passado, ele deixou alguns depoimentos no meu orkut.
Acho que vai ser sempre assim...eu o primeiro a pensar no aniversário dele, e ele o mesmo...

dia 02/03 e 18/03
meninos de peixes, peixinhos em mares outros...viveremos no mesmo mar!

feliz tudo, Allan José Calaça
.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Qualquer coisa


Caminharam pelo praça calmamente, sem maiores pretensões. Por certo não queriam desfazer as animosidades. Mas o amor era intenso, bonito, lívido. O respaldo eram as mãos frias e sóbrias. Iriam enlouquecer, e isso era bom. Complascente, o velho senhor deitava a vista nos dois moços. Um vexame acudiu sua face, pôs-se a rir detidamente.
Ensaiou uma aproximação, hesitou, fracassou em seu intento.
Aquela jovialidade e frescor acuava o velho, moribundo, feição rota.
O abismo era de tal forma bem posto que não se via a disputa entre margens. Estavam distantes não por quilômetros, mas por um tempo eterno, dissonante.


O menino magro, rosto quente, nariz perfeitamente colocado. Parou um instante, tocou o céu da boca com sua língua. Sentiu o peso do mundo, e viu alí, exatamente alí, o que por muito quis evitar. Não eram mais par em par, vinte dedos, quatro olhos, duas genitálias. Riu ao perceber que não mais o queria. Um leve questionamento, mesmo após um beijo, não vislumbrou a possibilidade de tocar outra vez aqueles lábios.

Estava bom para um, sóbrio, elegante. O outro desfez-se em choros e convulsões. Rogou pragas, jurou mundos e fundos, clamou justiça. Coração ferido, preso em sua própria teia de paixões construídas.
Algo a fazer? Não, ouso uma pequena intromissão e tento aconselhar meus próprios personagens. Vá embora, ignore os transeuntes, dissimule, finja que está bem, e então estarás bem.


O senhor achou prudente uma intervenção. Do alto de sua sabedoria e do sucessivo número de desilusões, proferiu uma conferência sobre afetividade, provas de amor e desejo ambíguo. O jovem pouco gostava daquela fala interminável. Pediu licença, precisava de ar. Viu que estava só, atabalhoadamente tentava sair da armadilha. E com passos vagarosos se viu distante de tudo que não gostava...sorriu melindrosamente, e gostou de estar só.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O Carnaval


Sexta-feira foi aquela loucura...vontade de largar tudo, deitar a perder, fugir no mundo. Mas daí surgem as tais forças, e por fim estou no local da cerimônia.
Lucas, doce como sempre, esteve lado a lado, e quando fisicamente não poderíamos estabelecer um contato o celular trazia suas mensagens.


Cada palavra que saiu da boca do "celebrante" passaram detidamente por meus pensamentos. Termos como submissão, obediência, cabeça e tantos outros desencadearam um misto de raiva e indiferença.

Foi bonito pois estive próximo da família. Foi intenso porquê Lucas e eu quebramos aquela atmosfera heteronormativa. Foi um tanto rosa, pois pensei em casamento de uma forma que até então não me atentara.


Iríamos para algum lugar beber um pouco, flertar. Entretanto saímos tarde, preferimos o calor dos lençóis...e de manhãzinha: carnaval com o osmar na antiga capital do estado "Vila Boa".

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Na parede da terça-feira


Um certo momento guardado para três pessoas. E então é resgatar a primeira conversa pelos idos de 2006. Uma pessoa inconstante, que aparece e some dos olhos como a água que passa dos 100°C.

E que sorriso, e que simpatia.

Dóris, Mônica e eu fomos ao teatro, assistimos uma comédia um tanto interessante. Se não fosse pela histeria de um certo rapaz e sua risada estridente, em absoluto teria adorado a peça.

E cada dizer, frase de efeito, crenças deram um tom familiar. A história acontecia na pousada do rio quente, cresci um tanto perto, em Caldas Novas. Escutei muitas mulheres que partilhavam a rotina das estrelas da peça. Mulheres que não tiveram acesso à escola, maridos complexos, filhos, para levar ao cubo sua jornada de trabalho.

Ontem Dóris disse que o nome do meu blog é deveras engraçado. Na verdade não direi qual expressão ele utilizou. Mas não sei, gosto do nome vontades...gosto de ter vontades.

Segundo a wikipedia:

Vontade é a capacidade através da qual tomamos posição frente ao que nos aparece. Diante de um fato, podemos desejá-lo ou rejeitá-lo. Ante um pensamento, podemos afirmá-lo, negá-lo ou suspender o juízo.

Gostei da possibilidade de se perder o juízo, aliás, suspendê-lo. Levá-lo as alturas.

Seguindo uma classificação de um colega, ando monotemático. Ao menos no que ouço. Uma tal música do Caetano vem a cabeça, desperta sussurros e me pego sibilando. Olha, mas tais versos se encaixam e dão um ar de "isso, cante mais um pouco". Deixo cá um trecho, e também da música interpretada por Maíra(Sim, a que participou do Fama) no canto de ouro.


Não me arrependo
Caetano Veloso

eu não me arrependo de você
cê não me devia maldizer assim
vi você crescer
fiz você crescer
vi cê me fazer crescer também
pra além de mim

não, nada irá nesse mundo
apagar o desenho que temos aqui
nem o maior dos seus erros,
meus erros, remorsos, o farão sumir
vejo essas novas pessoas
que nós engendramos em nós
e de nós
nada, nem que a gente morra,
desmente o que agora
chega à minha voz.



pra que vc entenda
Casa Bizantina

...Escute bem eu não vou voltar
Pra que você entenda
Olha só já me equilibro bem
Hoje vou ao cinema...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

TCC


Opa, ainda meio zonzo, disparatado. Com uma manhosa chuva de trilha sonora, faço minha matrícula. Nossa, a cada núcleo que vou passando vejo que já fiz quase todas. Sinto um medo, uma nostalgia, mas é uma sensação deliciosa.

Concluo no fim do ano Comunicação Social com habilitação em Publicidade.
Lembro muito dos primeiros dia da faculdade.
Rafa e eu comemorando no Vaca Brava, dias depois a primeira matrícula. Ihhh, a primeira semana de aula. Cheios de sonhos e esperanças...deste dia até hoje não perdi nenhum dos meus sonhos, pelo contrário, acrescentei muitos outros.
Adicionei também mais motivos para realizá-los.
Tempo delicioso, pessoas incríveis e uma brusca transformação na forma de ver e sentir o mundo.

Estou feliz por ter mais uma matéria com a Aline.
Noite de ontem...hummm...Como fomos parar na saída da cidade? Sei que a música estava alta em demasia, pessoas exageradamente construídas e um rapaz que despertou uma reação inesperada.

Nunca ouvi uma coisa tão estúpida de alguém tão bonito. Entreguei-lhe o copo, disse três frases raivosas e sensatas, e fui a procura dos amigos. Perdemos a chance de um bom diálogo, aliás poucos estão dispostos a dialogar, descubrir, conhecer. Querem o imediatismo, o efêmero. E viva a obsolescência dos corpos!!!


Uma pergunta? Qual o motivo de muitas músicas em baladas não terem letra, e a aversão a língua portuguesa?