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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Os amigos


Olha moço, as férias são necessárias, contudo, elas nos separam implacavelmente das pessoas que dividem um pouco do cotidiano. Osmar já voltou de terras baianas...e o Dudu? Hummm, ele continua pela Europa, e cá deixa um mar de saudades.

Ontem foi um dia curioso, no fim do dia consegui a liberdade da preguiça sufocante. A nanda passou pela cidade, e falamos sobretudo de egoísmos e abandonos. Quando ela contava sua história sentia arrepios e um deja vú...sei bem o motivo. O Davi interveio, tentou dissuadí-la, mas conheço a tal Nanda, e alí naquela cabeça há um emaranhado de mistérios.

E no fim da noite ainda exercitei um pouco do controle e digamos, um certo altruísmo. Confesso: foi por um certo sorriso do menino da computação, e de suas meias mensagens que tanto gosto.

Um poema para os "amigueiras" duduzeira e osmarzera do Vinicêra:

Saudade

Patativa do Assaré
(Antônio Gonçalves da Silva)

Saudade dentro do peito
É qual fogo de monturo
Por fora tudo perfeito,
Por dentro fazendo furo.

Há dor que mata a pessoa
Sem dó e sem piedade,
Porém não há dor que doa
Como a dor de uma saudade.

Saudade é um aperreio
Pra quem na vida gozou,
É um grande saco cheio
Daquilo que já passou.

Saudade é canto magoado
No coração de quem sente
É como a voz do passado
Ecoando no presente.

A saudade é jardineira
Que planta em peito qualquer
Quando ela planta cegueira
No coração da mulher,
Fica tal qual a frieira
Quanto mais coça mais quer.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

É samba que eles querem...


Ontem comemoramos o aniversário da Ana Júlia. Foi gostoso ovir alguns sambas que deixam as mãos na caça por um batuque.

"Meu moreno fez bobagem, maltratou meu pobre coração...aproveitou a minha ausência e botou mulher sambando no meu barracão."


Já sabia quem iria encontrar naquele lugar. Dito e feito, lá estava Lígia com seu alto-astral contagiante. Falamos, falamos e falamos. Deixei-a a par dos últimos acontecimentos e planos futuros. Ela é muita energia...


Amanhã cedo vou a Brasilia, uma reunião no Ministério da Justiça, especificamente na Secretaria Especial de Direitos Humanos.
Quero muito ver a Rafa... muito mesmo.


E as coisas vão se encaixando, sabe. É como quando temos que fazer um almoço ou jantar. Vamos ver o que temos, e faltam coisas ,sabores e estratégias. Ai surge o novo. Que tal usar isso, mexer um pouco assim, pegar o que ficou da refeição anterior. Então, uma surpresa, alí se forma um delicioso prato. E faremos isso, viveremos assim, reinventado... ressignificando.


Li em um blog uma análise sobre a música Rato da Palavra Cantada, amei.
Um texto sutil, envolvente. E o que mais gosto: promissor. O que nos moveria se não tivessemos promessas de vida?

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A casa do fim do mundo


Ontem no baile do reino de xoxotópolis vi algo assustador. Entre baile funk e o álcool, uma moça atravessou uma porta de vidro com seu impacto. Marcelo e eu corremos em sua diração para prestar alguma solidariedade. Entretanto, ela apenas insistia que não comentássemos com ninguém. Como se fosse fácil ocultar os estilharços.

Lembrei do filme A casa do Fim do mundo, quando motivado por uma viagem de LSD o irmão mais velho atravessa a porta de vidro e tem uma artéria atingida, não resistindo aos ferimentos. O engraçado foi Dóris perguntando quando o contei: ela estava viajando no LSD? " sei lá...

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A Adélia de novo...


Ao som de The Temptations - My Girl. Retomo o lindo poema de Adélia Prado: Casamento...mas com mudancinhas que caia em meu contexto. Mesmo sendo vegetariano, não há palavras para descrever tal cena, e a vontade de vivenciá-la.

Casamento


Há homens* que dizem:

Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como "este foi difícil"

"prateou no ar dando rabanadas"

e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

atravessa a cozinha como um rio profundo.

Por fim, os peixes na travessa,

vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

somos noivo e noivo*.


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Amores Perros


O sangue ainda é uma barreira, e ainda estou a refletir se há alí uma oportunidade de trauma ou uma gratuidade de mortes dos pobres cães. O filme vai um pouco além, engedra histórias que são absolutamente possíveis, e intimamente familiar.

O sotaque mexicano é delicioso, e fraqueza e a traição irmãs que despertam dores.
E o abandono dói, mesmo quando o que se foi é motivo de espera para o que ainda está. Lindo filme, linda companhia.


Eu ando as avessas com o povo goianiense. As pessoas ficam incomodadas pelo simples fato de alguém se sentar num lugar no ônibus não muito convencional.

Quem sabe não é o povo desta cidade, e sim uma epidemia humana, que não consegue se ajustar as diferenças deste a opção por sentar no chão em frente a porta de saída do coletivo. Ao ponto de insistir na imposição de crenças até mesmo por mensagem no celular, aqui transcrita: " A cura de nossos males esta em nos tornarmos melhores seres humanos cristãos.


As pessoas deveriam se envergonhar ao se autodominarem cristãs. A figura de Cristo é a mais inclusiva que conheço. Ele ouvia as crianças, caminhava com prostitutas, tocava em leprosos. E o que as empresas de fé fazem hoje? Normatizam e excluem como já atentara o Dóris. É duro ir para esse reino perdido, afinal qualquer passo nos leva fora da norma.

E não quero apenas passos fora da norma, quero quilômetros...
Ainda bem que nem todos são brancos, heterossexuais, cristãos, europeus... ainda bem que habito as margens.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Um quarto de chocolate ou o Alto da Glória


Ao diabo com a falta de umidade.
Apesar da saudade intensa desta cidade, a secura persegue meu pobre nariz, e é intensamente praguejada nas entreconversas muito adequadas com amigos.

Sempre tive medo do cominho, nunca soube usá-lo com parcimônia, tragédia feita. Como esse tempero é capaz de absorver todas as especificidades daquela lasanha tão especial. Mas a fome do Dóris é capaz de deixar na dúvida se a pirraça não seria fruto das minhas implicâncias com tal condimento.

O Bruno deixou uma interrogação em minha cabeça. Creio que ele não achou muito pertinente suco de caju com chocolate. Mas caju é algo tão intenso, aí lembro de algo mais intenso que é a cajuína, que por mais que pesquisei não entendi se não mais posso consumí-la. Não encontrei respostas sobre sua verdadeira origem, e se de fato tem gelatina de origem animal.

De Teresina também tenho mais lembranças, o vôo que devolveu-me a goiânia teria seu destino final na capital piauiense. E não é que encontro um menino que ví de relance na UFPI, e com sorte tinha a seu lado um assento vago que avidamente me ofereci a preenchê-lo. E pasmem, ele também lia Crime e Castigo, e ele também sofrera desilusão semelhante em São Paulo. Prometemos mais que nunca mergulharmos em dignidade , e um acordo tácito reconfortou a última secreção lacrimal expelida para criaturas que não merecem a classificação de humanos. Ele riu quando comentei que na verdade os cavalos que deveriam tratar de um certo humano. E aquele humano ( que não é humano, se buscarmos nas atribuições que o termo deita sobre nossos ombros) deveria propor uma terapia com o cavalo, mas o quadrúpede que se ajeitaria a dar conselhos e com pouco sucesso dar liçoes valiosas de solidariedade, respeito e caráter.

Ora o caráter é algo que se a boa educação não se atreveu a imbuir, um coice talvez resolva este déficit. E isso, além de bons conselhos, há de ser com uma intensidade que desloque belamente para a esquerda aquele maxilar. E chore mesmo, porque o choro que lhe atormenta e a sua necessária medicalização da vida não serão suficientes para te elevar a categoria de humano, e quiçás a de um cavalo, ser que vive em uma existência superiormente interessante.

Ps:
Bruna e Ana Júlia: Depois do 193 Alto Da Glória e do bom filme, o 1/4 de chocolate era para vocês!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Almodovariano


Como explicar?


Bom, não sei bem, talvez inexista razões, ou quem sabe eu precisava de uma boa sova da vida.


As coisas iam titubeando, tateando novos rumos. Confesso que manejei o que pude para não ver se desfacelar. Mas aí entendo, sei que não podemos agir além de nossas mãos, que há muita subjetividade no outro, e também muitas dissimulações.


O ocorrido de sexta para sábado faria a personagem Lola de todo sobre mi madre parecer apresentadora infantil.


Acho que não era o melhor momento para o que se sucedeu, ainda mais terminando de ler Crime e Castigo. Quem sabe essa lição oriente um pouco mais os meus passos. Confesso que foi doloroso, sofrível, decepcionante. Eu menti, omiti e interpretei. Entretanto, ele mentiu, machucou, feriu. Como uma avó matando um frango enforcado, foi o que ele fez. E andar errante pela capital paulista, com malas pesadas. Maldita hora em que a Tam quebrou as rodinhas da minha bagagem...tudo foi se encaixando, como um bom roteiro mexicano.


Escrevo estes caracteres em minha última noite nesta cidade, amanhã estarei com meus pares, minha família de amigos.


Vai passar, tudo passa.